Não tenho escrito nem publicado nada aqui, mas traduzi recentemente um conto de Guy de Maupassant que gostaria de compartilhar com meus leitores. Descobri o texto por meio de uma versão inglesa, cujo título era (traduzido literalmente) "O cadáver de Schopenhauer". Nem é preciso dizer o quanto me atraiu a ideia de um conto sobre o autor de "O mundo como vontade e representação", o autor defunto, digo, por oposição a Brás Cubas. Busquei o original francês, cujo título, "Auprès d'un mort", não me teria atraído tanto. Vai daí que preferi intitulá-lo em português com o título que escolhi para este post. Segue o conto, macabro e bem humorado, muito no espírito do pensamento schopenhaueriano.
* * *
Velando Schopenhauer
Guy de Maupassant
Ia morrendo aos poucos, como morrem os tuberculosos. Via-o diariamente, por volta das duas horas, sob as janelas do hotel, diante do mar calmo, sentado num banco do passeio. Ficava certo tempo imóvel, no calor do sol, contemplando com tristeza o Mediterrâneo. De vez em quando, lançava um olhar para as altas montanhas de cumes vaporosos que delimitam a cidade de Menton; depois, cruzava, com um gesto bem lento, suas pernas tão magras, que pareciam dois ossos, ao redor dos quais esvoaçava o tecido de suas calças, e abria um livro, sempre o mesmo.
Então, não se movia mais, apenas lia, lia com os olhos e a mente; todo seu pobre corpo agonizante parecia ler, toda sua alma mergulhava, se perdia, desaparecia nesse livro até que o ar fresco o fizesse tossir um pouco. Então se levantava e voltava ao hotel.
Era um alemão alto, de barba loira, que almoçava e jantava em seu quarto, e não falava a ninguém.
Uma vaga curiosidade nele me atraiu. Um dia, sentei a seu lado, também peguei um livro, para disfarçar, um volume dos poemas de Musset. E me pus a percorrer o “Rolla”.
De repente, meu vizinho me disse, em bom francês:
– O senhor sabe alemão?
– Nem um pouco.
– Ah, que pena! Já que o destino nos colocou lado a lado, eu poderia lhe emprestar, lhe mostrar algo inestimável – este livro que tenho em minhas mãos.
– De que se trata?
– É um exemplar de meu mestre, Schopenhauer, anotado por sua própria mão. Todas as margens, como você vê, estão cobertas com sua letra.
Peguei-lhe o livro reverentemente e olhei aquelas formas incompreensíveis para mim, mas que revelavam os pensamentos imortais do maior destruidor de sonhos que passou pela face da Terra.
E então os versos de Musset me surgiram à mente:
“Dormes feliz, Voltaire, e teu sórdido sorriso
ainda paira sobre teus ossos descarnados?”
E comparei involuntariamente o sarcasmo infantil, o sarcasmo religioso de Voltaire à ironia irresistível do filósofo alemão, cuja influência é indelével doravante.
Que se proteste, que se fique furioso, ou indignado ou entusiasmado, mas Schopenhauer marcou a humanidade com o timbre de seu desdém e de seu desencanto.
Gozador desiludido, derrubou crenças, esperanças, ideais e quimeras poéticas, destruiu aspirações, devastou a confiança das almas, matou o amor, abateu o culto da mulher ideal, esmagou as ilusões dos corações e concluiu a mais gigantesca obra jamais empreendida pelo ceticismo. Não poupou nada com seu espírito zombeteiro e tudo esvaziou. E mesmo hoje aqueles que o execram parecem carregar nas próprias almas partículas de seu pensamento.
– Então, você conheceu pessoalmente Schopenhauer? – perguntei ao alemão.
Ele sorriu com tristeza.
– Até a morte, meu senhor.
E ele me falou do filósofo e me contou sobre a impressão quase sobrenatural que este ser estranho causava em todos que dele se aproximavam.
Contou-me da entrevista do velho iconoclasta com um político francês, um republicano doutrinário, que queria ver esse homem e encontrou-o numa taverna barulhenta, sentado em meio a seus discípulos, seco, enrugado, rindo uma inesquecível risada, atacando e fazendo em pedaços idéias e crenças com uma única palavra, como um cão rasga, com uma dentada, os tecidos com os quais ele brinca.
Repetiu-me o comentário desse francês, enquanto ia embora, abismado e aterrorizado:
– Achei que havia passado uma hora com o diabo.
E acrescentou:
– Ele tinha, de fato, senhor, um sorriso assustador, de meter medo mesmo depois de sua morte. Há um caso quase desconhecido que eu poderia lhe contar, se for de seu interesse.
E começou, com uma voz cansada, que frequentes acessos de tosse interrompiam.
– Schopenhauer tinha acabado de morrer, e combinamos de velá-lo em turnos, dois a dois, até o amanhecer.
Ele estava deitado em um salão muito simples, amplo e sombrio. Duas velas de cera ardiam numa mesinha de cabeceira.
Era meia-noite quando chegou a minha vez, junto com um de nossos camaradas. Os dois amigos que havíamos rendido já tinham deixado o apartamento e nós fomos nos sentar ao pé da cama.
O rosto não mudara. Estava rindo. Aquele ricto que conhecíamos tão bem, se escavava no canto dos lábios, e nos parecia que ele estava prestes a abrir os olhos, mexer-se e falar. Seu pensamento, ou melhor, seus pensamentos nos envolveram. Sentimo-nos mais do que nunca na atmosfera de seu gênio, envolvidos, possuídos por ele. Seu domínio parecia ser ainda mais soberano, agora que estava morto. Um mistério se mesclava ao poder desse incomparável espírito.
Os corpos de homens como esse desaparecem, mas eles próprios permanecem, eles, e na noite que segue à parada de seus corações, eu lhe asseguro, senhor, eles são aterrorizantes.
E falávamos baixinho sobre ele, relembrando certos ditos, certas fórmulas que enunciava, aquelas máximas surpreendentes que são como luzes lançadas, em poucas palavras, na escuridão do Desconhecido.
– Parece que ele vai falar – disse meu camarada. E ficamos olhando, com uma inquietação que beirava o medo, aquele rosto imóvel e sempre sorridente. Pouco a pouco, começamos a nos sentir incomodados, oprimidos, a ponto de desmaiar. Balbuciei:
– Não sei o que há de errado comigo, mas posso jurar que estou doente.
E naquele momento percebemos que o cadáver cheirava mal. Então, meu companheiro sugeriu irmos para a sala ao lado, deixando a porta aberta, e concordei com a proposta.
Peguei uma das velas que queimava na mesinha, deixando para trás a outra e fomos nos sentar no outro extremo da sala ao lado, de modo que pudéssemos ver de nossa posição a cama e o cadáver, claramente iluminados.
Mas ele ainda nos obsedava. Poder-se-ia dizer que sua essência imaterial, liberta, livre, todo-poderosa e dominadora, girava em torno de nós. E, às vezes, também, o terrível cheiro do corpo decomposto chegava até nós e nos penetrava, doentio e repulsivo.
De repente, um arrepio nos passou pelos ossos: um barulho, um pequeno barulho se ouviu na câmara mortuária.
Imediatamente fixamos nossos olhares nele e então enxergamos, sim senhor, enxergamos claramente, nós dois, uma coisa branca escorrer da cama, cair no tapete e desaparecer sob uma poltrona.
Ficamos de pé, antes de poder pensar em qualquer coisa, alucinados por um terror tremendo, prontos para fugir. Então, nos olhamos um ao outro. Estávamos terrivelmente pálidos. Nosso coração batia tão violentamente, que poderia levantar o peito de nossas camisas. Eu fui o primeiro a falar:
– Você viu aquilo?
– É, vi.
– Será que ele não está morto?
– Mas como, se a putrefação já começou?
– O que vamos fazer?
Meu companheiro murmurou, hesitante:
– Precisamos ir ver.
Peguei nossa vela e entrei primeiro, olhando para todos os cantos do salão escuro. Nada mais se movia agora, e me aproximei do leito. Mas fiquei paralisado de estupor e medo... Schopenhauer já não ria! Sorria de um modo horrível, com os lábios cerrados e as bochechas profundamente cavadas em seu rosto. Então balbuciei:
– Ele não está morto!
Mas o odor pavoroso subia ao meu nariz e me sufocava. E eu nem conseguia me mexer, apenas continuava a olhá-lo fixamente, apavorado, como diante de uma assombração.
Então, meu companheiro, que tinha pegado a outra vela, abaixou-se. Depois, tocou-me o braço sem dizer uma palavra. Segui seu olhar e vi, no chão, sob a poltrona ao lado da cama, destacando-se alva no tapete escuro – aberta como para morder – a dentadura de Schopenhauer.
O trabalho da decomposição, soltando as mandíbulas, havia feito a prótese saltar de sua boca. Fiquei realmente apavorado naquele dia, senhor.
E enquanto o sol mergulhava no mar cintilante, o alemão tuberculoso levantou-se, fez uma reverência de despedida e voltou ao hotel.
sábado, 28 de janeiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Mi Buenos Aires Querido
Estive pela segunda vez em Buenos Aires e gostei ainda mais do que da primeira vez. No verão, a capital argentina é linda e evidencia o significado do azul e do sol na bandeira do país. Creio que Buenos Aires é motivo de orgulho para todos que nascemos na América do Sul. Sentar no Café Tortoni (fundado em 1852) e respirar a mesma atmosfera que ali respiraram Borges e Gardel é um privilégio. No mesmo Tortoni, assisti um belíssimo show de tango, num ambiente intimista, que faz a gente se transportar para outra realidade. A cantora, chamada Virgínia Verônica, tem uma voz maravilhosa, que espero reproduzir aqui. Comprei um CD e só preciso descobrir como subir uma das faixas. De resto, me hospedei no Castelar Hotel, onde viveu García Llorca, como se vê pela placa acima. Respiramos tradição por todos os lados.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Cracolândia
Duas notícias que encontro agora pela manhã na home-page do UOL: 1) 32 denúncias de abuso na operação policial na Cracolândia; 2) Polícia ficará seis meses na região, segundo o comandante da PM. A primeira observação a fazer é sobre 1) – trata-se de “reportagem” da Agência Brasil, isto é, da agência de notícias do governo federal. Mais chapa branca impossível. Mas o que me espanta é o UOL dar destaque aos textos produzidos pela Agência Brasil, alçando-os à cabeça de página. Nunca na história do jornalismo deste país a imprensa oficial do governo petista recebeu tamanho destaque, exceto quando se mete a acusar o governo tucano do estado de São Paulo.
Sobre 2) – Tenho achado impressionante o fato de o governo do estado e do município aguentar calado a artilharia pesada de criticas que a imprensa desfechou contra a operação policial na cracolândia, mas talvez a melhor resposta seja essa mesma: silêncio e trabalho. De que adianta bater boca com gente que não está disposta a se deixar convencer de qualquer coisa, com gente que, de antemão, já está convencida do contrário. Duvido que a maioria da população de São Paulo esteja contra a intervenção na cracolândia.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Sobre a Paris de Woody Allen
Assisti ontem o novo (para mim) filme de Woody Allen, “Meia-noite em Paris”. É um divertissement e nada mais do que isso, apesar da pretensão filosófica do autor. Allen parece se mover num mundo de estereótipos, de personagens de histórias em quadrinhos, querendo sempre, no entanto, que eles tenham mais densidade. Para mim, tanto o protagonista quanto os seus antagonistas, o pai da noiva e o intelectual pedante, são estereótipos e se ressentem de uma ingenuidade que bloqueia suas potencialidades cômicas. Mas até os personagens históricos que o protagonista encontra em Paris (de Fitzgerald a Dalì) são todos estereotipados também: particularmente Hemingway, que é mostrado como se tivesse sido, de fato, o personagem que ele fingiu ser.
Não escapa disso, evidentemente, a própria Paris, que me parece na tela limpinha e paradisíaca demais para ser verdadeira. Por fim, a “mensagem” que o filme pretende extrair de sua trama, a de que não existem Golden Ages, é também um estéreotipo conceitual. De legal mesmo, na minha opinião, a solução que a narrativa dá à participação do detetive particular. É inesperada e, por isso, surpreendente e cômica. Em suma, como divertissement “Meia-noite em Paris” funciona; para quem quer mais do que isso, é melhor comprar um DVD de Ingmar Bergman.
Não escapa disso, evidentemente, a própria Paris, que me parece na tela limpinha e paradisíaca demais para ser verdadeira. Por fim, a “mensagem” que o filme pretende extrair de sua trama, a de que não existem Golden Ages, é também um estéreotipo conceitual. De legal mesmo, na minha opinião, a solução que a narrativa dá à participação do detetive particular. É inesperada e, por isso, surpreendente e cômica. Em suma, como divertissement “Meia-noite em Paris” funciona; para quem quer mais do que isso, é melhor comprar um DVD de Ingmar Bergman.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Grego e filosofia
“Está provado que só é possível filosofar em alemão.” O verso de Caetano Veloso não tem significado profundo, nem fundamento na realidade: é um chute, uma boutade, que traduz uma avaliação superficial da filosofia e da língua alemã, com intuito estético e cômico. Justifica-se poeticamente, mas não em termos lógicos ou metafísicos. Ortega e Julián Marías filosofaram em espanhol. Raimundo Llullio, no século XIII, filosofou em catalão, simultaneamente a São Tomás, que filosofou em latim. Enfim, não creio que haja nada na língua alemã ou em qualquer língua que a torne particularmente apta à filosofia.
No entanto, por motivos que não quero mencionar, comecei a estudar grego e, pelo pouco que já sei do idioma de Platão e Aristóteles, tenho impressão de que a língua grega tem uma lógica intrínseca que deve ter colaborado com o surgimento da filosofia. Por enquanto, não vu me estender a respeito disso. Compartilho com os leitores apenas essa intuição, juntamente com outra: a de que não passa de um picareta o senhor Vernant, autor de "As origens do pensamento grego", livro que pretende atribuir o nascimento da filosofia às condições materiais da pólis, fundamentado no marxismo. Bullshit, pseudociência.
Mas, a propósito do grego, tenho a dizer que existe um método da Joint Association of Classical Teachers, da Universidade de Cambridge, que é fantástico. Chama-se Reading Greek. Com ele, passei das palavras às frases e aos textos simples em menos de uma semana. Não é incrível?
No entanto, por motivos que não quero mencionar, comecei a estudar grego e, pelo pouco que já sei do idioma de Platão e Aristóteles, tenho impressão de que a língua grega tem uma lógica intrínseca que deve ter colaborado com o surgimento da filosofia. Por enquanto, não vu me estender a respeito disso. Compartilho com os leitores apenas essa intuição, juntamente com outra: a de que não passa de um picareta o senhor Vernant, autor de "As origens do pensamento grego", livro que pretende atribuir o nascimento da filosofia às condições materiais da pólis, fundamentado no marxismo. Bullshit, pseudociência.
Mas, a propósito do grego, tenho a dizer que existe um método da Joint Association of Classical Teachers, da Universidade de Cambridge, que é fantástico. Chama-se Reading Greek. Com ele, passei das palavras às frases e aos textos simples em menos de uma semana. Não é incrível?
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Sub specie aeternitatis
Nem sei como ainda tenho leitores, dada a irregularidade das publicações neste blog. De qualquer modo, sou grato a todos os que me leem e desejo a vocês um feliz 2012. O que me leva a escrever agora é um comentário que foi feito ao post abaixo, segundo o qual Lula e FHC se igualam, pois ambos têm seus acertos e seus erros. Por mais imparcial que esse comentário seja, na minha opinião, ele está redondamente equivocado. Feitas as contas, se bem feitas, FHC tem mais acertos e menos erros do que Lula e, portanto, do ponto de vista do Brasil, não há dúvida de foi melhor o governo FHC.
Vale notar que, dos acertos de Lula, o principal foi não mexer na política econômica desenvolvida por seu antecessor, pelo que o principal acerto de Lula é tributário dos acertos de FHC. O sucesso da economia brasileira na Era Lula só ocorreu devido ao Plano Real lançado por FHC e combatido por Lula na ocasião. Em todos os sentidos, só houve um governo Lula porque houve um governo FHC. A recíproca não é verdadeira, mas não por uma mera questão de cronologia. O PT fez cerrada oposição ao governo FHC, que triunfou apesar do PT.
Mas, sinceramente, cansei de falar dessas coisas. A última palavra há de ser da História. De resto, aproveitemos o silêncio obsequioso que a doença impôs a Lula para ignorá-lo. Nos últimos tempos ando mais interessado nas coisas sub specie aeternitatis, como diria Spinoza. E a notícia que mais me abalou nesta virada de ano foi a da morte do jornalista Daniel Piza, o qual conheci pessoalmente.
Não porque goste do trabalho dele, que, francamente, acho pífio, mas por ter tido um fim tão repentino, aos 41 anos (eu tenho treze a mais...). Daniel tinha ido passar o Natal com a família e foi fulminado por um AVC. Ou seja, entre nós e um mosquito que esmagamos com um tapa, a diferença, no fundo, é muito pequena. E essa é uma conclusão que não se altera sub specie aeternitatis.
Vale notar que, dos acertos de Lula, o principal foi não mexer na política econômica desenvolvida por seu antecessor, pelo que o principal acerto de Lula é tributário dos acertos de FHC. O sucesso da economia brasileira na Era Lula só ocorreu devido ao Plano Real lançado por FHC e combatido por Lula na ocasião. Em todos os sentidos, só houve um governo Lula porque houve um governo FHC. A recíproca não é verdadeira, mas não por uma mera questão de cronologia. O PT fez cerrada oposição ao governo FHC, que triunfou apesar do PT.
Mas, sinceramente, cansei de falar dessas coisas. A última palavra há de ser da História. De resto, aproveitemos o silêncio obsequioso que a doença impôs a Lula para ignorá-lo. Nos últimos tempos ando mais interessado nas coisas sub specie aeternitatis, como diria Spinoza. E a notícia que mais me abalou nesta virada de ano foi a da morte do jornalista Daniel Piza, o qual conheci pessoalmente.
Não porque goste do trabalho dele, que, francamente, acho pífio, mas por ter tido um fim tão repentino, aos 41 anos (eu tenho treze a mais...). Daniel tinha ido passar o Natal com a família e foi fulminado por um AVC. Ou seja, entre nós e um mosquito que esmagamos com um tapa, a diferença, no fundo, é muito pequena. E essa é uma conclusão que não se altera sub specie aeternitatis.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Ódio e amor a Luiz Inácio
Volto ao tema Lula/SUS porque acabo de ler um artigo de Barbara Gancia sobre o assunto. Diz a colunista que está espantada com o ódio a Lula que se manifesta na internet e condena as manifestações. Faz muito bem de condená-las. Devemos ser contra qualquer manifestação de ódio, bem como devemos ter muito cuidado para não deixar o ódio brotar dentro de nós. O ódio faz mal. É um mal. É o Mal... Deixando de lado isso, porém, que nada mais é que o ensinamento essencial de Jesus, ao entregar a outra face, vale refletir sobre outro aspecto da questão.
Os jornalistas estão espantados com o fato de existir tanta gente que odeia Lula. Eu fico mais espantado com o fato de supostamente haver tanta gente que ame Lula, o qual os jornalistas consideram óbvio e incontestável como o princípio da não-contradição. O que está acontecendo agora, mediante a doença de Lula, deixa claro como as compreensões da realidade formadas pela imprensa e pelas pesquisas de opinião pública são verdadeiros disparates. Jornalistas e sociólogos vêem as aprovações de 87% da população ao governo Lula e concluem que o homem é amado pelo povo brasileiro. Não é não.
Essa aprovação de massa é fruto exclusivamente da bonança econômica brasileira. E o público eletrizado por Lula nos comícios/inaugurações por ele protagonizados no exercício da presidência da República também não serve como índice de que Lula seja amado pelas massas populares. O que se vê nesses atos tem a ver com o carisma de Lula, sem dúvida, mas não se pode esquecer que o público presente não foi lá espontaneamente para vê-lo. Foi, em geral, arrebanhado pela máquina política do governo local, como retribuição pelas verbas/obras que o governo federal lhe estava concedendo.
Não sei se tem havido formação de grupos de oração ou pequenas multidões diante do apartamento de Lula em São Bernardo do Campo. Parece que não, pois, caso contrario a imprensa já teria exibido isso à exaustão. Esse seria um fato que demonstraria efetivamente ser Lula amado pelas pessoas ali presentes, as quais poderiam ser consideradas uma amostra dos brasileiros em geral. Se houvesse um grande amor a Lula, se o povo brasileiro o visse efetivamente como o líder carismático que a imprensa apregoa, o filme sobre ele deveria ter sido um sucesso de público e não o fracasso retumbante que foi.
Como esses, há vários outros argumentos que se poderiam apresentar para discutir o fenômeno da pretensa unanimidade de Lula, mas não é o caso agora. O que eu pretendia era mostrar a compreensão equivocada que os meios de comunicação desenvolveram sobre isso, criando uma ficção jornalística que a opinião pública acaba engolindo como realidade. E, o que é pior, a oposição a Lula acaba engolindo como realidade e fica aí paralisada, deixando que a máquina lulista continue a influir em nossos destinos.
Os jornalistas estão espantados com o fato de existir tanta gente que odeia Lula. Eu fico mais espantado com o fato de supostamente haver tanta gente que ame Lula, o qual os jornalistas consideram óbvio e incontestável como o princípio da não-contradição. O que está acontecendo agora, mediante a doença de Lula, deixa claro como as compreensões da realidade formadas pela imprensa e pelas pesquisas de opinião pública são verdadeiros disparates. Jornalistas e sociólogos vêem as aprovações de 87% da população ao governo Lula e concluem que o homem é amado pelo povo brasileiro. Não é não.
Essa aprovação de massa é fruto exclusivamente da bonança econômica brasileira. E o público eletrizado por Lula nos comícios/inaugurações por ele protagonizados no exercício da presidência da República também não serve como índice de que Lula seja amado pelas massas populares. O que se vê nesses atos tem a ver com o carisma de Lula, sem dúvida, mas não se pode esquecer que o público presente não foi lá espontaneamente para vê-lo. Foi, em geral, arrebanhado pela máquina política do governo local, como retribuição pelas verbas/obras que o governo federal lhe estava concedendo.
Não sei se tem havido formação de grupos de oração ou pequenas multidões diante do apartamento de Lula em São Bernardo do Campo. Parece que não, pois, caso contrario a imprensa já teria exibido isso à exaustão. Esse seria um fato que demonstraria efetivamente ser Lula amado pelas pessoas ali presentes, as quais poderiam ser consideradas uma amostra dos brasileiros em geral. Se houvesse um grande amor a Lula, se o povo brasileiro o visse efetivamente como o líder carismático que a imprensa apregoa, o filme sobre ele deveria ter sido um sucesso de público e não o fracasso retumbante que foi.
Como esses, há vários outros argumentos que se poderiam apresentar para discutir o fenômeno da pretensa unanimidade de Lula, mas não é o caso agora. O que eu pretendia era mostrar a compreensão equivocada que os meios de comunicação desenvolveram sobre isso, criando uma ficção jornalística que a opinião pública acaba engolindo como realidade. E, o que é pior, a oposição a Lula acaba engolindo como realidade e fica aí paralisada, deixando que a máquina lulista continue a influir em nossos destinos.
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