segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A dois passos da estultice

Ao ler um artigo de Martim Vasques da Cunha sobre Eric Voeglin no site da Dicta & Contradicta, deparei com uma distinção que Ortega faz entre o bobo e o esperto (no bom sentido). O esperto sempre se dá conta quando está a dois passos de se transformar num bobo. Gostaria de saber em que obra de Ortega se encontra a citação. Como em breve devo almoçar com o sábio Gilberto de Mello Kujawski, que conhece a fundo o filósofo espanhol, vou tentar descobrir e ler a obra em questão.

De qualquer modo, creio que a virtude que permite ao esperto recuar diante da bobagem ou da estultice é a humildade. Na vida intelectual, perdê-la implica necessariamente o erro. E perder a humildade é muito fácil, principalmente num mundo onde “tudo é vaidade”, como adverte o Eclesiastes. Ter escapado do engodo criminoso do marxismo é um passo fundamental para desenvolver a atividade do espírito, mas acreditar que a crítica ao marxismo basta para dar conta da realidade política de nosso mundo é dar os dois passos que levam além da fronteira.

Desse ponto em diante, não há filosofia que não se transforme em filodoxia, para usar a expressão de Michele Federico Sciaca.

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