quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Grego e filosofia

“Está provado que só é possível filosofar em alemão.” O verso de Caetano Veloso não tem significado profundo, nem fundamento na realidade: é um chute, uma boutade, que traduz uma avaliação superficial da filosofia e da língua alemã, com intuito estético e cômico. Justifica-se poeticamente, mas não em termos lógicos ou metafísicos. Ortega e Julián Marías filosofaram em espanhol. Raimundo Llullio, no século XIII, filosofou em catalão, simultaneamente a São Tomás, que filosofou em latim. Enfim, não creio que haja nada na língua alemã ou em qualquer língua que a torne particularmente apta à filosofia.

No entanto, por motivos que não quero mencionar, comecei a estudar grego e, pelo pouco que já sei do idioma de Platão e Aristóteles, tenho impressão de que a língua grega tem uma lógica intrínseca que deve ter colaborado com o surgimento da filosofia. Por enquanto, não vu me estender a respeito disso. Compartilho com os leitores apenas essa intuição, juntamente com outra: a de que não passa de um picareta o senhor Vernant, autor de "As origens do pensamento grego", livro que pretende atribuir o nascimento da filosofia às condições materiais da pólis, fundamentado no marxismo. Bullshit, pseudociência.

Mas, a propósito do grego, tenho a dizer que existe um método da Joint Association of Classical Teachers, da Universidade de Cambridge, que é fantástico. Chama-se Reading Greek. Com ele, passei das palavras às frases e aos textos simples em menos de uma semana. Não é incrível?

2 comentários:

Anônimo disse...

Desejo-lhe êxito em seus estudos, mas lembro que o grande historiador russo Rostovzeff, herdeiro de Bizâncio e portanto de Atenas, considerava que a melhor língua para a filosofia era o latim.

O professor Jacyntho Brandão, da UFMG, também tem um método de grego muito bom.

Anônimo disse...

É incrível.
E não é possível filosofar em inglês, a não ser a filosofia barata. O que me diz, caro Cacique?